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Petróleo recua após Trump adiar ataques ao Irã e mercados globais reagem

Brent cai mais de 8% e ativos registram descompressão, mas investidores seguem cautelosos diante das incertezas geopolíticas

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de adiar por cinco dias eventuais ataques a usinas de energia em Teerã provocou forte reação nos mercados globais nesta segunda-feira (23). O movimento levou à queda acentuada do petróleo e à recuperação de ativos de risco, em meio à sinalização de avanço nas negociações com o Irã.

Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que os dois países mantiveram, nos últimos dias, “conversas muito boas e produtivas” com foco em uma resolução completa das hostilidades no Oriente Médio. Segundo ele, as negociações devem continuar ao longo da semana, motivo pelo qual orientou o Departamento de Defesa a suspender temporariamente qualquer ação militar contra a infraestrutura energética iraniana.

A sinalização reduziu a aversão ao risco que havia se intensificado após ameaças de ataque caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto em até 48 horas — prazo que se encerraria às 20h44 (horário de Brasília) desta segunda-feira.

Com a mudança de cenário, os mercados reagiram positivamente. Por volta das 8h25, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,53%, enquanto os futuros de Nova York indicavam forte alta: o S&P 500 subia 2,63% e o Nasdaq, 2,64%. No mesmo horário, o petróleo Brent recuava 8,05%, cotado a US$ 103 por barril.

Apesar da melhora no humor dos mercados, o ambiente segue marcado por incertezas. Mais cedo, o governo iraniano havia afirmado que responderia com a mesma “intensidade” a eventuais ações militares, elevando o nível de tensão geopolítica.

O cenário levou o Goldman Sachs a revisar sua projeção para o preço médio do Brent em 2026, de US$ 77 para US$ 85 por barril, refletindo os riscos associados ao conflito. Ainda assim, analistas avaliam que a tendência ao longo do dia é de cautela por parte dos investidores, diante da imprevisibilidade dos desdobramentos no Oriente Médio.