Estatal mantém estratégia de não repassar automaticamente oscilações externas ao consumidor em meio a pressões do mercado por reajuste
A Petrobras não avalia, no curtíssimo prazo, um novo aumento no preço do diesel, mesmo diante do prolongamento da guerra e de seus impactos sobre as cotações internacionais do petróleo, segundo fontes da empresa com conhecimento das discussões.
A estratégia da estatal é manter a política de não repassar automaticamente ao consumidor brasileiro as volatilidades e instabilidades geopolíticas, ainda que agentes privados do setor pressionem por um reajuste. Na avaliação desses agentes, a recomposição de preços poderia reduzir a defasagem em relação ao mercado internacional e facilitar as importações que complementam o abastecimento no país.
De acordo com uma das fontes, “não tem nada no radar para os próximos dias”. Outra fonte afirmou que a companhia segue monitorando o cenário, mas evita movimentos imediatos. “A gente está sempre monitorando, mas não tem que ser toma lá, dá cá. A empresa vai sempre defender os interesses dos acionistas sem penalizar o consumidor”, disse.
O comportamento recente do mercado internacional reforça o cenário de incerteza. Na segunda-feira, os preços do petróleo registraram forte volatilidade desde o início do conflito, com o Brent operando em queda superior a 10% por volta do meio-dia (horário de Brasília). O movimento refletiu a reação dos investidores à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que adiaria por cinco dias um possível ataque militar a instalações de energia do Irã, após indicar avanços em negociações diplomáticas.
O contexto evidencia a sensibilidade dos preços globais do petróleo a eventos geopolíticos, fator que tem sido monitorado pela Petrobras na definição de sua política de preços, com o objetivo de equilibrar rentabilidade e estabilidade para o mercado interno.